Comunicação Alternativa e TEA

Costa, Juliana

“Somos diferentes, mas não queremos ser transformados em desiguais.
As nossas vidas só precisam ser acrescidas de recursos especiais.”
(Peça de Teatro: Vozes da Consciência, BH)

Uma pesquisa feita pelo grupo norte-americano Autism Speaks constatou que o número de autistas não-verbais corresponde a 25% dos casos. Se considerarmos que os dados são referentes aos EUA, onde os casos de TEA são diagnosticados precocemente e contam com um suporte mais avançado que no Brasil, na nossa realidade, podemos elevar este percentual.

Alguns estudos indicam, igualmente, que cerca de 50% a 70% de indivíduos com TEA nunca adquirem um discurso funcional (Eigstiet al., 2011; Prizanti, 1996).

Mediante tentativas frustradas de comunicação, com ausência da oralidade, surgem, muitas vezes, os comportamentos disruptivos, como choro, birra, agressividade, agitação psicomotora.

Os métodos de Comunicação Alternativa e Suplementar podem ser definidos como o uso integrado de recursos, incluindo-se objetos, símbolos, figuras, fotos, estratégias e técnicas que auxiliem na promoção e complementação da comunicação da criança.

O PECS foi criado e desenvolvido em 1984 por Andrew S. Brondy e Lori Frost, com o objetivo de fornecer uma forma alternativa de comunicação na intervenção do Autismo.

O protocolo de ensino do PECS é baseado no livro Comportamento Verbal de B.F. Skinner e na Análise do Comportamento Aplicada, apresentando-se como um sistema norteado por processo de aprendizagem que envolve princípios do comportamento verbal, para que os operantes verbais sejam sistematicamente ensinados, utilizando estratégias de dicas e reforçamento, buscando alcançar comunicação independente.

PECS é a abreviatura para, traduzindo em português, Sistema de Comunicação por Troca de Figuras, que permite a crianças com TEA e com poucas ou nenhuma capacidade de comunicação através da oralidade, um meio para comunicar de forma não verbal tudo o que possa ser representado por figuras, desde pedidos a pensamentos.

O sistema ensina a discriminação de símbolos, a habilidade de utilizá-los com função comunicativa e como agrupá-los para formação de sentenças até a fase mais avançada onde ensina-se a dar respostas a questões e a comentários simples.

O programa é dividido em seis etapas, para que a criança progressivamente utilize as figuras com objetivo comunicativo.

Fase I – Como comunicar

A criança aprende a trocar uma figura por um objeto ou atividade desejável.

Fase II – Distância e persistência

Continuando com uma única figura, a criança aprende a generalizar a competência aprendida na Fase I, para utilizar em diferentes locais, com diferentes pessoas e a diferentes distâncias. São também ensinadas a serem comunicadores mais persistentes.

Fase III – Discriminação de figuras

A criança aprende a selecionar entre duas ou mais figuras disponíveis para pedir pelo seu objeto/atividade de desejo. Nesta fase, as figuras são colocadas na pasta de comunicação, que deverá acompanhá-la em todos os contextos do dia a dia.

Fase IV – Estrutura de frases

A fase IV caracteriza-se pela estruturação de sentenças. A criança deverá montar frases utilizando o cartão “Eu quero”, seguido da figura do item de interesse.

Fase V – Responder a questões

A criança aprende a usar o PECS para responder à questão “O que você quer?” ou “O que é isto?”

Fase VI – Responder a questões

Nesta fase, a criança aprende a comentar em resposta a questões como “O que você vê?”, “O que está ouvindo?” e “O que é isso?”. Aprende a construir frases começando por “Eu vejo…”, “Eu ouço…”, “Isto é…”, etc.

Vários estudos comprovam os benefícios da utilização do PECS, com fácil aprendizado do método, aumento do número de palavras no vocabulário e na complexidade gramatical, melhora no comportamento sócio comunicativo, aumento da linguagem verbal e da atenção compartilhada e diminuição de comportamentos disruptivos.


REFERÊNCIAS

ANTUNES,A.M.; COSTA,A.J. Transtorno de Espectro Autista na Prática Clínica. Pearson Editora, 2017.

GOMES,C.G.S.; SILVEIRA,A.D. Ensino de Habilidades Básicas Para Pessoas Com Autismo. Appris Editora, 2016.

MORAES,C.; CHASTINEI,J. Desenvolvimento Infantil e Comunicação. Editora Mennon, 2019.

PYRAMID EDUCATIONAL CONSULTANTS. Sistema De Comunicação Por Troca De Figuras (PECS), 2020. Disponível em https://www.pecs-brazil.com

PERES,A.(org.). Comunicar para Incluir. Editora ABPEE, 2015.